Perdi lá atrás no tempo a minha religião
De tantos nomes que deram a Deus
E dogmas diversos, sem sentido pra mimDa confusão, das opções, nenhuma escolhi
E aquela aura mística de benção e proteção
Se escondeu em algum lugar, nas profundezas
E o que era pra simplificar-se, apenas mudou de forma
Despertar da ciência e da filosofia
A eterna busca por respostas, mas sob outra ótica
Será mesmo?
Um vazio que não se preenche (quase) nunca.
Diante do nada, do vazio que consome e atrai
Um certo desespero, brumas do não-saber.
Num turbilhão de imagens, nenhuma passa a ser nítida
Só por um minuto
Deixar ao acaso seria a perfeição
Mas estamos todos cheios de vontades
Que não deixam nosso ser aquietar
E aproveitar a cada suspiro como algo mágico
É sempre querer o que está lá fora, lá longe
Um quase eterno desprezar do concreto e do real
–
Ficam as lembranças da pureza da infância
Uma oração antes de dormir, para guardar a alma
Para não ter pesadelos ou doenças
Por nosso entes-queridos.
Era sempre estar em paz depois daqueles momentos de olhos fechados.
Por outro lado, tinha aquela cobrança,
O Bem e o Mal travando um duelo
Fazer um certo mal era como mudar de lado
A ameaça da danação! Terrível.
Acho que foi isso, não quis nem bem nem mal
Só queria achar respostas
Só queria não ter perguntas
Mas elas nunca param, nem deveriam, agora sei.
–
Para tudo que se excede, tem uma compensação
Não muda de um extremo ao outro sem ter “o troco”
E como seria bom estar sempre entre os extremos
Bem e mal, Sol e Lua.
E pra minha compensação, da perda religiosa
Redescobri no amor, tudo o que faltava
Talvez tenha sido um reencontro, vai saber
A bíblia do Cristão já dizia: “Deus é Amor”.
E das orações que se tornaram distantes e quietas
Tomei outras proteções e bênçãos
O mundo voltar a ter cores e contornos de outrora
O vazio ficou pequenino.
Novas maneiras de ter proteção e felicidade
Um beijo e um abraço são os amuletos mágicos
Capazes de tornar um dia difícil, suportável
Um desabafo ao pé do ouvido, uma nova oração
Estar com a pessoa amada é Estar no mundo
É sentir, pelo menos num momento, numa fração de tempo
Que o vazio tinha a forma que o Outro preencheu
Como algo realmente divino
E por alguns dias sei que zanguei minha nova Deusa.
Por vezes, como se fosse um ofensa a nova religião
Alguns atos não foram muito bem aceitos
E chega a ser engraçado como isso se aproxima da antiga religião.
Passamos a (quase) ter o bem e o mal novamente…
Mas nesta nova comunhão, tudo é melhor, eu sei
É uma possibilidade de ver a Divindade olho no olho
Ter certeza que ela está sempre olhando em nossa direção
E poder ver o que há de mais glorioso.
Novamente nos aproximamos da religião do Cristo
Lembra-se da bíblia: “Deus fez do homem sua imagem e semelhança”
E então percebemos, que a recíproca é verdadeira
No estado mágico que o amor passa, somos Deuses
Uns dos outros, na cumplicidade de um relacionamento Divino
E a cada ato que suprimos uns aos outros, em nossos opostos Masculino/Feminino.
Voltamos a ser Deuses, uns dos outros.
A cada beijo, um sopro de vida,
Em cada abraço um escudo de proteção
Em cada olhar, a vida em movimento
O verdadeiro sentido de tudo.